O final de 'A Grande Inundação', atualmente o filme mais assistido da Netflix Brasil, foi pensado para confundir mais do que confortar. Depois de acompanhar uma história que parece realista, centrada em uma mãe tentando salvar o filho durante uma enchente apocalíptica, o filme revela que a tragédia é apenas parte de algo muito maior.
Ao chegar aos minutos finais, surgem dúvidas inevitáveis: o dilúvio aconteceu de verdade? An-na é humana? E qual é o verdadeiro sentido do loop temporal? O Purepeople destrinchou o final e te explica tudo nesta matéria.
[Atenção: este texto contém spoilers do filme mencionado. Caso você não queira vê-los, aconselhamos que não continue a leitura].
Sim, a inundação existiu, mas apenas até certo ponto. O desastre começa após um asteroide atingir a Antártida, derretendo as geleiras e elevando o nível do mar de forma irreversível. Cidades inteiras são engolidas, e a humanidade passa a encarar a própria extinção. Isso é real dentro do universo do filme, especialmente até o momento em que An-na e Ja-in chegam ao telhado do prédio com a ajuda de Hee-jo.
A partir desse ponto, o que o público acompanha deixa de ser o mundo físico como ele existia. O filme muda de perspectiva e revela que os acontecimentos seguintes já fazem parte de um experimento.
No telhado, An-na descobre que seu papel vai além da sobrevivência. Ela é uma pesquisadora ligada ao Centro Darwin, uma organização criada para evitar o desaparecimento da humanidade, e seu trabalho envolve o Motor da Emoção, uma tecnologia desenvolvida para permitir que seres sintéticos tenham sentimentos reais.
Com o fim da Terra cada vez mais próximo, An-na propõe um experimento radical. Ela entende que emoções não podem ser programadas artificialmente, mas precisam ser vividas, então é a partir daí que surge o loop temporal, uma simulação construída a partir do pior dia de sua vida: a grande inundação.
Dentro desse ambiente sintético, An-na revive o mesmo dia repetidas vezes e sempre que falha em encontrar o filho Ja-in, o tempo reinicia. O ciclo se repete indefinidamente até que a mãe consiga se conectar com a criança de forma genuína e expressar suas emoções. Caso isso nunca aconteça, o Motor da Emoção falha e a humanidade não tem futuro.
Outro ponto central do final é a revelação de que Ja-in não é o filho biológico de An-na. Ele é Newman-77, uma criança criada especialmente para o experimento e desenvolvida para crescer entre humanos e aprender emoções reais, funcionando como a peça-chave para validar o Motor da Emoção.
A missão de An-na, portanto, vai muito além de salvar quem ela acredita ser seu filho, mas também provar que é possível criar um vínculo emocional verdadeiro mesmo em um contexto artificial.
Após inúmeras repetições dentro da simulação, An-na finalmente consegue encontrar Ja-in ao se lembrar do lugar em que costumava esconder o filho. Esse momento encerra o loop temporal e comprova que o experimento foi bem-sucedido. Na cena final, An-na e Ja-in observam a Terra do espaço, indicando que o Motor da Emoção foi concluído e que um novo futuro pode ser iniciado.
O filme encerra sem responder isso de forma clara. A An-na do final pode ser a mulher original, com suas memórias recuperadas após o experimento, ou uma versão sintética criada a partir dessas lembranças. Essa ambiguidade é proposital e reforça a principal reflexão do longa.
'A Grande Inundação' termina sugerindo que, quando há memória e emoção verdadeira, a diferença entre humano e artificial não importa. O maior mistério não está no dilúvio, mas na definição do que realmente significa ser humano.
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